Uma Carta para o Oriente

Se não me falha a imaginação…

tens diante dos olhos o papel surrado que viajou correntes marítimas. Quem sabe ao estourar a rolha, o primeiro a recebê-la ouviu uma canção de baleias jubartes guardada ali, como um pedaço de concha que ecoa o mar. Por certo talvez e de encontro ao hábito de suas terras, esperou uns instantes a fumaça acumular-se num canto e o verde do céu confundir-se com os olhos de um bravo gênio a aparecer à sua frente. Com alguma boa história e uma porção de feitiços… Vai ver o peregrino desejou um oásis e com o vidro da garrafa fazer seu olho velho enxergar distâncias…

As letras, em qual alfabeto será que foram grafadas? Do ar qual ave cedeu uma pena sua, salva para mergulhar-se em tinta? Ao lado de qual duna encontrou o segundo viajante a garrafa então abandonada? Haveria ali algum adendo, alguma prece, uma súplica de esperança? Pelas pupilas dilatadas acredito que um pó de flor pode lhe ter tocado os lábios. As mamães assim, ninavam seus filhos tristes num passado bravo. Suspiro que não.

O meu desejo à estrela do oriente, era uma carta assim que chegasse aos nenéns, sem lhes entorpecer ou confundir a mente, niná-los palavra à palavrinha numa estória dessas que cantam quem cuida com carinho, de um pequeno ser: recém chegado ao mundo.

Com um beijo de vento selo o envelope.
E o sal de minha língua se confunde com o mar.

Por Tassi e Caio
em sua coluna na Rádio Banda B. 

Ação de Divulgação!

Nós começamos uma jornada de entrega de presentes, como ação de divulgação do projeto do nosso livro! É assim: cada integrante da equipe vai escolher um lugar da cidade e um horário, ali vai presentear alguém com uma das nossas caixinhas em miniaturas e mais outra lembrança, partezinha do livro.

Aqui a arte de divulgação da ação dessa semana, com o Antonio Lopes.
Você pode encontrar o Ton na terça-feira agora, 04.11 às 15h em frente à Gibiteca do Solar do Barão.

ação caixinhas

A Fabulosa Arte de Confabular!

Dizem as más línguas que mora o bicho-papão embaixo do meu colchão…
Dizem as más línguas que se eu saio lá fora o homem do saco me leva embora…
Dizem as más línguas que se não obedeço meus pais a cuca não me deixa em paz…
Dizem e riem mais quando faço as caras que o medo me traz.

Dizem as más línguas que a bruxa é ingrata e me transforma em barata…
Dizem as más línguas que na lua cheia o lobisomem rodeia…
Dizem as más línguas que se um espelho quebrar são sete anos de azar…
Dizem e eu nada digo, pois quem responde ou mente, o papai-noel não traz presente…

Eu gosto de dizer, quando o vento me refresca, que eu queria ter nascido na floresta…
Conhecer o curupira, lembrar que todo medo é uma mentira…
Encontrar a caipora e esquecer do tempo, felicidade não tem hora…
Aprontar com o saci muito longe daqui.

As más línguas do gosto azedo guardam um segredo…
Estudam desde cedo como fazer você ficar com medo…
Sabem tudo de cor para te enganar melhor…
Mentem adoidado e não perdem o rebolado…

Dizem as más línguas…
Digam as más línguas o que quiserem dizer, eu tapo os ouvidos e continuo a escrever…