Uma Carta para o Oriente

Se não me falha a imaginação…

tens diante dos olhos o papel surrado que viajou correntes marítimas. Quem sabe ao estourar a rolha, o primeiro a recebê-la ouviu uma canção de baleias jubartes guardada ali, como um pedaço de concha que ecoa o mar. Por certo talvez e de encontro ao hábito de suas terras, esperou uns instantes a fumaça acumular-se num canto e o verde do céu confundir-se com os olhos de um bravo gênio a aparecer à sua frente. Com alguma boa história e uma porção de feitiços… Vai ver o peregrino desejou um oásis e com o vidro da garrafa fazer seu olho velho enxergar distâncias…

As letras, em qual alfabeto será que foram grafadas? Do ar qual ave cedeu uma pena sua, salva para mergulhar-se em tinta? Ao lado de qual duna encontrou o segundo viajante a garrafa então abandonada? Haveria ali algum adendo, alguma prece, uma súplica de esperança? Pelas pupilas dilatadas acredito que um pó de flor pode lhe ter tocado os lábios. As mamães assim, ninavam seus filhos tristes num passado bravo. Suspiro que não.

O meu desejo à estrela do oriente, era uma carta assim que chegasse aos nenéns, sem lhes entorpecer ou confundir a mente, niná-los palavra à palavrinha numa estória dessas que cantam quem cuida com carinho, de um pequeno ser: recém chegado ao mundo.

Com um beijo de vento selo o envelope.
E o sal de minha língua se confunde com o mar.

Por Tassi e Caio
em sua coluna na Rádio Banda B. 

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